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  • Dr. Ricardo Feix

O que é o Transe Hipnótico e para que serve

Atualizado: 31 de Mar de 2020

Descubra os detalhes deste fenômeno da consciência humana.



O transe hipnótico ou estado ampliado de consciência (EAC) é um dos estados naturais da consciência. Esse estado pode ser induzido em consultório pela respiração por uma centena de diferentes técnicas. O transe favorece a modificação da consciência enquanto diferente daquela percebida pelo indivíduo ou por outros como realidade de vigília. Transe é um termo amplo que pode ser desencadeado quase espontaneamente por várias técnicas orientais e ocidentais, assim como pode ser também o resultado de condições médicas específicas, dentre os vinte estados de consciência conhecidos atualmente, entre o estado de coma e a hipervigilância máxima.


Assim, os estados ampliados de consciência constituem-se de intervalos entre vigília e o sono, que podem ser provocados pela respiração dirigida ou naturalmente a cada período de 90 a 120 minutos para cada pessoa, a cada dia, a contar da hora que despertou pela manhã. Esse momento de transe, que é um descanso natural, uma pausa verdadeira, é tal como o intervalo de uma partida de futebol, como o box da Fórmula 1, ou a parada de um ônibus no café para depois seguir viagem. Nesse período uma constelação de fenômenos são despertados. Chamado pela medicina de ritmo ultra-radiano, durante curto espaço variável de tempo (alguns minutos), o corpo fica em um mini-transe natural passivo, e então a expressão genômica no citoplasma das milhares de células se altera eletricamente, modificando a polaridade de todo o epigenoma celular.


Assim realizam-se ajustes automáticos de defesa ao estresse, manutenção da vida, atração de nutrientes e repulsão de toxinas, promovendo a homeostase e um novo equilíbrio de todo o sistema espírito/mente/corpo/célula/gene, processo chamado Psico /Neuro / Endócrino / Imunológico. Essa harmonização natural vence o stress e ajusta o ser vivo para o próximo desafio.


Este estado caracteriza-se no cérebro pelas dominâncias das frequências alfa (de 04 a 12 Hertz) que correspondem ao relaxamento ou também teta (de 12 a 28 Hertz) que correspondem ao sonho acordado e podem ser identificadas concretamente através do encefalograma cerebral, especialmente nas áreas da formação reticular e do giro cingulado, mais ativadas enquanto grande parte do córtex permanece inibido.


Durante um E.A.C. a mente está dissociada, porém com a concentração hiperfocalizada num ponto ou evento que pode ser a ameaça da vez. Neste momento, a neurofisiologia e a neuroquímica de todas as funções corporais modificam-se, ora pela dominância maciça do sistema nervoso parassimpático ou relaxamento, ora pela dominância simpática ou excitação. É por isso que hoje se sabe que durante os E.A.C. modificam-se: a expressão genômica intracelular, neurotransmissores e vários componentes do sangue, especialmente o RNA mensageiro, a neurogênese, os neurônios espelho, através do processo de neuroplasticidade.


Durante um E.A.C., podem então, serem alteradas memórias (regressão, progressão ou ressignificação, aprendizagens, comportamentos e humores). Assim sendo, tal como nos estados meditativos, extáticos ou de oração, ou mesmo nos transes ativos de endorfina máxima, os E.A.C.s favorecem a mudança emocional, a compreensão profunda e o autoconhecimento, a reconciliação, o auto-perdão e o amor, que são o caminho para mudança e da auto cura, para cada pessoa. Durante um E.A.C. de acordo com a sensibilidade individual de cada paciente e nível de profundidade atingido pelo cliente, muitas modificações em diversos níveis podem ser verificadas. No corpo físico, emocional, mental e espiritual são produzidas diferentes expressões concretamente aferíveis.


Os E.A.C.s que podem ser estudados através da fenomenologia do transe, favorecem o terapeuta transpessoal, que pode aproveitar esse rico momento sublime, de ebulição, transmutação interna e insight profundo, para ajudar seus pacientes a ressignificar, reenquadrar ou recontextualizar antigas crenças da criança ferida na alma. As explorações éticas, afáveis, compassivas e protetoras do terapeuta em diálogos sutis carregados de ternura e apadrinhamento, podem libertar um sofredor crônico de traumas emocionais profundos, utilizando-se a linguagem metafórica e a sabedoria universal.


Os E.A.C.s facilitam simultaneamente os diálogos mente/corpo; consciente/inconsciente; hemisfério cerebral direito/hemisfério cerebral esquerdo de forma quântica, holográfica e multidimensional, favorecendo a auto regulação e a auto cura, completamente sob medida, tal como recomenda a hipnose ericksoniana, uma terapia para cada paciente.


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